Muito prazer, me chamo STF e costumo soltar corruptos como Sérgio Cabral

11/01/2023

Assim é o País, assim funciona a capital, assim caminha o judiciário

Na sexta-feira (17/12/2022), a segunda turma do Supremo Tribunal Federal, pelo voto decisivo do ministro Gilmar Mendes (que novidade!!), mandou para casa o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, um dos maiores ladrões de dinheiro público que o País já descobriu, desfrutar de todo conforto e boa mesa que os bilhões – sim, bilhões! – de reais surrupiados dos pobres e miseráveis brasileiros podem pagar.

Enquanto dezenas de milhões de pessoas passarão o natal, literalmente, a pão e água, em moradias indignas à vida humana, cercadas por lixo e fezes a céu aberto, o criminoso, condenado em 23 ações penais que somam mais de 420 anos de cadeia, comerá bem, beberá melhor ainda e dormirá em berço esplêndido, tal qual Banânia, este gigantesco e triste pedaço de chão, esquecido por Deus e bonito por natureza.

Segundo Gilmar Mendes, em voto decisivo, “nenhum cidadão brasileiro, por mais graves que sejam as acusações que pesam em seu desfavor, pode permanecer indefinidamente submetido a medidas processuais penais extremas, como a prisão cautelar”. Trocando em miúdos, segundo o atento garantista da lei, já que o judiciário não consegue, em seis anos, condenar um corrupto como Cabral, que o solte então.

Atualmente, no Brasil, segundo dados do DEPEN (Departamento Penitenciário Nacional), cerca de 700 mil pessoas encontram-se detidas, sendo que, aproximadamente, 210 mil – ou 30% do total – são de presos provisórios, exatamente como Sérgio Cabral. Para a infelicidade dessa multidão, o STF de Mendes e companhia, bem como os advogados estrelados, não a enxerga, e por isso passará o natal no xilindró.

Ficou meio confuso, né, caro leitor, cara leitora? Ex para lá, ex para cá, muitos nomes e tudo mais. Assim é o País, assim funciona a capital, assim caminha o judiciário. Mas não desanime. A cada dois anos tem eleições, e você poderá manter tudo isso intocável, do jeito que vem fazendo há décadas, elegendo quem rouba, que nomeia quem investiga, que conjura com quem prende, para, ao final, todos comerem peru no Leblon às nossas custas. Saúde!

Fonte.: Ricardo Kertzman (O Estado de Minas)


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